Quem sou eu

Logroño, La Rioja, Spain
Bacharel e Mestre em Biologia pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho". Doutorando em Enologia pela Universidad de La Rioja (Espanha), com especialidade em Microbiologia

17 abril, 2011

Um vinho no restaurante. O quê escolher e como proceder?

Observo muito mito e muito medo na hora de tomar um vinho em algum restaurante. Muita gente imagina que há demasiadas regras por trás disto, mas em realidade precisamos perder esse medo e encarar isto como o pedido de um prato normal. A primeira coisa é a escolha de um vinho para acompanhar o almoço ou jantar e para isto, nada melhor que sermos honestos e, quando não temos a menor idéia, pedir ajuda ao sommelier ou ao garçom.
O seguinte passo é o correto serviço do vinho. Em um bom restaurante – e não falo aqui de estabelecimentos “cinco estrelas” – onde haja um mínimo de cuidado com o cliente, o vinho necessariamente será aberto aos olhos do cliente. Se já trouxeram a garrafa aberta apenas com a rolha posta, sinta-se com todo o direito de reclamar ou pedir que abram a garrafa na mesa. Digo isto porque infelizmente muitos lugares vendem “gato por lebre” e quando estamos pagando – e, diga-se de passagem, pagamos bem caro por vinho no Brasil – temos o direito de fazer certas exigências.
O bom garçom abrirá a garrafa e perguntará quem na mesa deseja provar o vinho. Antigamente havia muito preconceito neste simples ato, sendo que sem consultar o garçom dirigia-se diretamente ao homem do grupo. Hoje isto já deveria significar um ato abolido e qualquer um dos comensais pode se oferecer para provar e aprovar o serviço do vinho.
Como mostra de bom serviço e de respeito ao cliente o garçom deve mostrar o rótulo da garrafa escolhida para que se possa comprovar a marca e a safra, abrirá e oferecerá a rolha a quem desejar provar o vinho. Basta um simples exame visual e olfativo, apenas para constatar que o vinho não está alterado por mau acondicionamento, o que em muitos casos é detectável pela simples observação da rolha.
A seguir serve-se uma pequena quantidade de vinho para que se realize uma análise breve do vinho. Há muita gente que gosta de dar um toque de soberbia neste passo, fazer aerações intensas em boca e mostrar-se o grande entendido na matéria. Balela! A questão aqui é apenas provar o vinho para constatar que ele não tenha nenhuma alteração sensorial e que se encontra à temperatura correta. O garçom deveria esperar que essa pessoa desse o sinal de aprovação para então seguir servindo o restante da mesa.
Uma coisa importante, principalmente no caso dos tintos, é deixar que o vinho “respire” um pouco, ou seja, que ele entre em contato com o oxigênio para expressar tudo aquilo que poderá oferecer. Se tiver paciência, ponha um pouco de atenção e reparará como o mesmo vinho vai mudando em poucos minutos; prove-o ao início e lembre-se de ao final degustá-lo novamente. Possivelmente terá a impressão de que não bebeu o mesmo vinho.
Outra coisa que pode parecer demasiada pompa, é como seguramos a taça, mas não é. A taça de vinho deve ser sempre suspensa pela haste e não pelo bojo da mesma. Isto é essencial para que não aqueçamos o vinho ao transferir nossa temperatura corporal, assim o mantemos nas condições adequadas por mais tempo e podemos apreciá-lo sem interferências.



E é isto. A seguir a regra essencial é beber sabendo apreciar o vinho e, claro, a companhia que tivermos. 


Tim-tim!

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