Já faz um tempo que familiares e amigos me pedem alguma indicação prática na hora de comprar um vinho, seja para o dia a dia, seja para alguma ocasião especial. A questão é comprar um vinho que seja minimamente honesto, ou seja, com características organolépticas corretas, sem alterações, e a preço acessível. Convenhamos, falar de grandes e místicos vinhos é como cultivar um amor platônico, e para tal propósito este não é o caso.
Por isto, vou listar algumas dicas práticas, regras e mitos na hora de escolher um bom vinho.
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- A primeira coisa é escolher um estabelecimento que demonstre um mínimo de preocupação com a correta armazenagem do produto. Garrafas expostas à luz direta, à temperatura ambiente (o que acarreta oscilações de temperaturas constantes), armazenadas verticalmente e sem critério já são um claro indício de que podemos estar comprando “gato por lebre”. Pode parecer muito “bla-bla-bla”, mas a questão é que todos estes aspectos influem diretamente na cor, na estabilidade físico-química, na composição aromática e gustativa dos vinhos.
- Tipo de vinho: Devemos buscar informação que nos diga se é um vinho jovem, envelhecido em madeira (e por quanto tempo), se é uma safra especial e selecionada e ainda se é um vinho varietal ou “assemblage”. Varietal é o vinho composto únicamente de uma variedade de uva (ex.: Merlot, Pinot noir, Cabernet sauvignon, Tannat, etc.) e neste caso encontraremos as características sensoriais típicas da variedade. No caso do “assemblage”, trata-se de um vinho composto por diferentes variedades e em diferentes proporções (ex.: Cabernet sauvignon + Merlot, Cabernet franc + Pinot noir, etc.); costumam ser vinhos com mais complexidade sensorial justamente por mesclar diferentes características provenientes de cada variedade de uva.
- Variedade da uva: Este também é um aspecto essencial na hora de escolher um vinho para determinada refeição ou ocasião. No caso dos tintos existem variedades que caracteristicamente perfazem vinhos mais robustos, com coloração intensa, mais adstringência em boca e outros bastante mais delicados. Cito as alugmas variedades tintas: Cabernet sauvignon (vinhos com cor intensa e boa adstringência, aromas a groselha, café, pimentão verde e cassis); Merlot (aromas a frutas silvestres, cassis, eucalipto, tabaco); Pinot noir (originam vinhos com complexidade e muita delicadeza, mas a vinícola necessita dominá-la bem); Shyrah (aromas a violetas e frutas negras maduras).
No caso dos vinhos brancos, um varietal é sempre interessante, sendo as mais conhecidas a Chardonnay (vinhos frutados e com corpo), Sauvignon Blanc (aromas e sabores a frutos tropicais e toque floral), Riesling (vinhos secos, frutados, frescos e com aromas florais), entre outras
- Safra: É muito importante prestar atenção no ano de produção do vinho pois o fato de que o vinho quanto mais velho, melhor, é um mito. Vinhos brancos, via de regra, devem ser jovens, frescos, vibrantes e não ter mais de 2 anos – a não ser que seja o caso de brancos que passaram por madeira - e o mesmo deve ser aplicado aos rosados ou rosés. Quanto aos tintos jovens, que tampouco foram envelhecidos em madeira, devem ser de safras recentes, em geral também não devem superar os 2 anos; alguns vinhos mais robustos necessitam algum tempo mais de “descanso” na garrafa para que sejam mais apetecíveis e suaves ao paladar. Já os tintos que passaram por madeira ou aqueles considerados “reserva” têm mais potencial de envelhecimento e, de fato, melhoram com o tempo.
É necessário ter em mente que cada vinho tem sua infância e adolescência, necessitando algum tempo para “amadurecere”; também tem sua juventude, quando se encontra vivo e vibrante, porém ainda pode melhorar; passa por uma “fase adulta e madura” quando potencializa sua expressão e chega a seu ponto ótimo; e finalmente chega a seu momento “cenil”, quando já vai morrendo e perdendo pouco a pouco suas melhores características.
- Considerando a realidade brasileira, devemos levar em consideração que a qualidade dos vinhos nacionais melhorou muitíssimo nos últimos anos. Os chilenos e argentinos chegam oferecendo bons produtos a bom preço, mas também há de tudo um pouco. A questão é que pelo incentivo fiscal, estes vinhos importados têm mais vantagens que os nacionais na hora de olhar o preço. De qualquer modo, os vinhos brasileiros, especialmente os brancos e espumantes, têm demonstrado características ímpares e merecem ao menos a nossa curiosidade.
- Quanto ao preço, considero que na faixa de R$20,00 a R$30,00 podemos encontrar bons vinhos, que minimamente sejam honestos e corretos.
- No mais, o principal é não ter medo de arriscar e provar. Uma dica interessante para quando desejemos dar um presente ou não errar na hora de oferecer algo aos amigos e familiares é registrar aqueles vinhos que nos deixaram melhores impressões, por exemplo, guardando o rótul, a rolha ou até mesmo ter um caderninho para poder anotar a marca, variedade(s) de uva(s) e safra.
- Bom, finalmente deixo a dica de uma loja virtual no Brasil que vale a pena. Em www.vinhosevinos.com.br você poderá encontrar uma ampla gama, com preços de vinícola e descriçao das características de cada vinho.
